Notícias de interesse empresarial
Fonte: Folha de São Paulo - 15/02/2012
País é o mais lento dos Brics para
abertura de empresas
O tempo que se leva para abrir uma empresa
no Brasil encolheu 20% nos últimos cinco anos, mas segue entre os
maiores do mundo, segundo dados do Banco Mundial.
Os atuais 119 dias de processo já foram
152 em 2007. Apesar da melhora, somente quatro países exigem hoje mais
paciência dos futuros empresários: Guiné Equatorial (137 dias),
Venezuela (141), República do Congo (160) e Suriname (694 dias).
A burocracia empurra o Brasil para o 179º
lugar no ranking global com 183 países. E em último entre os emergentes
chamados Brics, grupo que inclui ainda Índia (29 dias), Rússia (30),
China (38) e África do Sul (19 dias).
O Banco Mundial considera a maior cidade
de cada país; no Brasil, São Paulo.
``Para abrir uma empresa no Brasil, são
necessários registros nas três instâncias [federal, estadual e
municipal] e, muitas vezes, é preciso esperar sair um documento para
pedir o outro``, diz Jorge Zaninetti, advogado e sócio do setor
tributário do escritório Siqueira Castro.
Em número de procedimentos, segundo o
Banco Mundial, o Brasil exige 13 -menos que os 17 de cinco anos atrás-
para a abertura de uma empresa, como registro na Receita Federal e na
Junta Comercial, inscrição na Previdência Social e obtenção do alvará
municipal para funcionamento.
E, na maioria das cidades, todos os
pedidos são feitos separadamente em cada órgão, o que contribui para
deixar o processo mais lento e mais caro.
ESTRANGEIROS
``No exterior, é comum que a inscrição da
empresa seja feita em uma única instância, que integra os
procedimentos``, diz Zaninetti. Na China, abrir um negócio custa um
sétimo do preço do Brasil.
De acordo com o Banco Mundial, abre-se uma
empresa com apenas um procedimento legal no Canadá e na Nova Zelândia.
Já a liberação sai em um dia na Nova Zelândia, e em cinco no Canadá.
Se a empresa interessada em se instalar no
Brasil vier do exterior, o número de procedimentos exigidos sobe para
15, pois envolve a regularização do executivo estrangeiro no país e o
cadastro da empresa no Siscomex (Sistema Integrado de Comércio
Exterior), da Receita Federal.
Para o estrangeiro se tornar responsável
pela futura empresa no Brasil, precisa, primeiro, fornecer o endereço
dessa companhia -que, por sua vez, depende do registro do executivo no
país para ser aberta.
Assim, cria-se um ``mercado`` para
resolver esse tipo de impasse, com brasileiros entrando como sócios em
uma fase inicial para que um endereço seja informado e aceito. Depois
que a empresa é aberta, altera-se o endereço.
``Muitas vezes esse `serviço` é oferecido
por escritórios de contabilidade. Não é ilegal, mas é cobrado``, diz
Martim Machado, sócio do escritório Campos Mello Advogados. ``É difícil
para o estrangeiro entender como todo esse processo é lento e complicado
no Brasil. Ele não chega a desistir, mas precisa rever e estender os
prazos.``
Outro lado
Mudanças estão em andamento, diz ministério
DE SÃO PAULO
Procurado pela Folha para comentar a
burocracia no ambiente de negócios no país, o Ministério do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior afirmou, por e-mail, que
``mudanças profundas estão em andamento``.
O governo cita a criação da Redesim (Rede
Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e
Negócios), em 2007.
A rede foi criada para promover a
integração dos procedimentos de registro e legalização das empresas
envolvendo Receita Federal, juntas comerciais, secretarias estaduais e
prefeituras.
O ministério destacou também que
microempreendedores individuais podem formalizar suas atividades ``em
poucos minutos`` no Portal do Empreendedor (www.portaldoempreendedor.gov.br)
e ressaltou que, de junho de 2010 a dezembro de 2011, foi feito 1,8
milhão de formalizações via internet.
O ministério afirmou ainda discordar da
metodologia adotada pelo Banco Mundial para seu ranking, ``por não
comparar de forma harmonizada os diferentes processos de abertura [de
empresas] entre os países``.
PRIMEIRA ETAPA
A Receita Federal também ressaltou, por
e-mail, a importância da Redesim e disse que está prevista, para 2012, a
primeira etapa de implantação do sistema em seis Estados: Santa
Catarina, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia e Pará.
Ainda de acordo com a Receita, a
iniciativa da nova rede para simplificação será estendida a outros
Estados a partir de 2013.
Texto confeccionado por:
Carolina Matos e Maeli Prado
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