Notícias de interesse empresarial
Fonte: O Globo - 10/02/2012
Carga tributária de 2011 deve
bater recorde, chegando a 36% do PIB
Turbinada pela arrecadação de impostos
federais, a carga tributária deve bater novo recorde em 2011, chegando a
36,2% do Produto Interno Bruto (PIB), com crescimento de dois pontos
percentuais em relação a 2010. A previsão está em estudo dos economistas
José Roberto Afonso, Kleber Castro e Márcia Matos, que criou o
Termômetro Tributário, um acompanhamento mensal da evolução das
principais receitas no Brasil - 85% do total - a partir de informações
oficiais. O resultado de 2011, que precisa ser consolidado pelas três
esferas de governo, supera a marca de 2008, quando a carga tributária
atingiu o recorde de 35,6% do PIB. Em 2010, pela metodologia utilizada
de Afonso, a carga chegou a 34,2% do PIB.
- Na série histórica da carga bruta
global, a variação de dois pontos do PIB em 2011 foi o salto mais
expressivo desde 2000 - destacou.
Outra constatação do estudo é que a
expansão da carga em 2011 não foi generalizada, mas concentrada nos
tributos federais. No ano passado, 85% do aumento vieram de impostos
recolhidos pela Receita Federal.
A arrecadação federal cresceu 1,98 ponto
percentual do PIB na comparação com 2010, enquanto a soma dos principais
impostos estaduais (ICMS e IPVA) teve um incremento de apenas 0,02 ponto
percentual do PIB. Com essa performance, a carga de tributos estaduais
ficou abaixo do montante registrado em 2008. Alcançou 7,79% do PIB em
2011 contra 7,93 % naquele ano.
O economista comparou a carga global
projetada para 2011 com a de 2000, concluindo que é 17% superior. Nessa
comparação também fica evidente o crescimento mais intenso do bloco de
tributos federais, que cresceu 18%, enquanto o conjunto de tributos
estaduais, apenas 5%. Entre 2000 e 2011, o aumento da arrecadação do
ICMS cresceu apenas 3%, contra 17% da receita federal administrada e 21%
da receita previdenciária.
O estudo mostra que dez setores
responderam por 67% do incremento total da receita. O financeiro é
responsável por 19% do ganho total. Em segundo, aparece o de extração
mineral. Esse desempenho tão diferente da arrecadação federal refletiria
uma economia dual, na visão do economista. Enquanto alguns setores
crescem em ritmo chinês, os demais seguem padrões latinos.
Pelos cálculos do economista Amir Khair,
outro especialista em tributos, a carga tributária deve crescer 1,7
ponto percentual do PIB em 2011, na comparação com 2010, pelo aumento do
Imposto de Renda. Ele também destacou o papel da Previdência no aumento
da arrecadação, por causa da formalização crescente de mão de obra e de
ganhos reais nos salários.
Para 2012, Khair prevê que a carga
tributária vai depender da política fiscal do governo.◄
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