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Águas de Lindóia
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é um município do estado de São Paulo. Abrange uma
área de 60 km².
É um dos 11 municípios paulistas considerados
estâncias hidrominerais pelo Estado de São Paulo, por cumprirem determinados
pré-requisitos definidos por Lei Estadual. Tal status garante a esses
municípios uma verba maior por parte do Estado para a promoção do turismo
regional. Também, o município adquire o direito de agregar junto a seu nome
o título de estância hidromineral, termo pelo qual passa a ser designado
tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais.
O Fundador
italiano:
Águas de Lindóia surgiu da aventura de um jovem médico italiano, o Dr.
Francisco Tozzi, nascido em 1870 na cidade de Benevento, província de
Nápoles. Francisco Tozzi, que foi secretário da Saúde de Milão, aceitou o
convite de um amigo italiano, pároco da cidade de Socorro, para vir morar no
Brasil e prestar assistência médica. O Dr. Tozzi chegou em 1900 à Socorro,
cidade do interior de São Paulo.
A
descoberta das fontes:
Em 1909, o Dr. Tozzi, fundador de Águas de Lindóia, soube da história de um
padre da cidade de Lyndoia, vizinha à Socorro e Serra Negra, que havia sido
curado de um eczema de pele utilizando as águas que jorravam a 28 graus de
um morro denominado "Águas Quentes". Após mandar analisar aquela água e
confirmar suas propriedades curativas, o Dr. Tozzi adquiriu as terras ao
redor das fontes e iniciou em 1910 a construção das Thermas de Lindoya.
Os
primeiros hotéis:
As Thermas de Lindoya, construídas a partir de 1910, eram formadas por três
grandes casas, cada uma delas com um refeitório e quartos enfileirados
unidos por um corredor. Apesar da estrutura simples, as construções
receberam nomes pomposos: Hotel Senado, Hotel Catete e Hotel Câmara.
O Senado recebia os clientes mais pobres, enquanto que o Catete era o que
mais se assemelhava a um hotel, recebendo os clientes de melhor posição.
O início
do povoado:
A construção das Thermas de Lindoya, em um local muito distante para as
condições de transporte da época (1910), fez com que o Dr. Tozzi precisasse
prover os operários de condições mínimas de subsistência.
Desta forma nasceram as primeiras ruas, armazéns, casas, farmácia, escola e
consultório médico. O Dr. Tozzi mudou-se com a família para o novo povoado
em 1914.
O
engarrafamento de água mineral:
As histórias de cura realizadas pelas "Thermas de Lindoya" ganharam o
Brasil, atraíam cada vez mais: pessoas e propiciaram o início do
engarrafamento de água mineral, em 1916. Além de adquirida pelos clientes
das Thermas de Lindoya, a água era enviada à Serra Negra em carroças por um
produtor de vinho da região, e de lá seguia para outras cidades.
O hotel
que iniciou o ciclo turístico:
Apesar do sucesso das "Thermas de Lindoya", o empreendimento ainda exigia
que o Dr. Tozzi aplicasse todos os recursos financeiros obtidos com sua
clínica. Isto significava, em valores da época, cem mil réis por dia, o
equivalente a mais de 30 consultas de três mil réis cada. A solução
encontrada pelo Dr. Tozzi foi a construção de um hotel moderno, que atraísse
pessoas de melhor poder aquisitivo e que, de certa forma, subsidiassem a
hospedagem dos mais pobres nos outros "hotéis".
Em 1929 surgia o Hotel Glória (hoje, Grande Hotel Glória), com um belo salão
para refeições, salão para refeições dietéticas, salão de diversões, cozinha
ampla, apartamentos de 2 ou três quartos, água corrente, iluminação
elétrica, banheiros independentes e outros "luxos". O novo hotel mudou a
rotina do lugar realizando sofisticados bailes com música ao vivo que
terminavam precisamente às 22 horas, por ordem expressa do Dr. Tozzi e em
prol da saúde dos hóspedes! Nem mesmo o presidente da província de São
Paulo, Washington Luiz, mais tarde presidente do Brasil, escapou do excesso
de zelo do médico italiano, e sempre resignou-se a encerrar suas danças no
horário determinado quando hospedou-se no Hotel Glória.
O hábito
de fazer a estação de águas:
Muitos problemas de saúde tinham, naquela época, como única solução a
permanência em um balneário, onde a ingestão de água, a alimentação e a
rotina diária era acompanhada por médicos. Os hóspedes chegavam aos
balneários com receitas prescrevendo o período de permanência - 10, 20, 30
ou até 60 dias.
Independente de prescrição médica, as famílias programavam longos períodos
de hospedagem durante as férias. Fazer turismo e cuidar da saúde eram
praticamente sinônimos. Algo como fazer turismo e fazer compras, nos dias de
hoje.
Thermas de Lindoya era considerado um dos melhores balneários do mundo e,
sem dúvida, era o mais "badalado" da região sudeste do Brasil, recebendo
artistas e políticos.O conforto do Hotel Glória, as festas e a freqüência de
personalidades ilustres, somados à fama das águas, da comida e das
crescentes histórias de cura, criaram na época uma pergunta comum na
sociedade paulistana: "você não vai fazer a estação de águas de Lindoya?"
A visita
de Madame Curie, Prêmio Nobel de Química:
O trabalho do Dr. Tozzi atraíram a atenção de Madame Curie, Prêmio Nobel de
Química, que realizava pesquisas na França sobre a radioatividade.
Madame
Curie veio ao Brasil em 1928 e visitou as Thermas de Lindóia:
A radioatividade foi o tema das conversas, porque anos mais tarde
descobriu-se que a água mineral de Águas de Lindóia atingia 3.179 maches na
escala radioativa, contra 185 maches das famosas fontes de Jachimou na
Tchecoslováquia e 155 maches das fontes de Bad Gastein, na Áustria.
A radioatividade natural da água é extremamente benéfica para o organismo, e
Águas de Lindóia possui, comprovadamente, a água mineral de maior
radioatividade em todo o planeta.
Águas de
Lindóia e a Missão Apolo 11:
O Balneário Municipal exibe uma nota fiscal muito interessante (NF no
20.218), emitida em 02 de abril de 1969, três meses e meio antes do homem
chegar a lua pela primeira vez a bordo da Apolo 11. Segundo este documento,
foram embarcadas para Cabo Kennedy, a pedido da NASA, 100 dúzias de garrafas
com 500 ml contendo água mineral de Águas de Lindóia. Algumas pessoas que
trabalharam na empresa engarrafadora naquela época confirmam a história e
acrescentam que a água enviada foi retirada da Fonte Santa Filomena, que
ainda jorra no Balneário.
O site da NASA comprova que a cápsula Eagle, onde os astronautas Neil A.
Armstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins fizeram a viagem, possuía dois
reservatórios para água, mas não especifica com qual água eles foram
abastecidos.
Os motivos que teriam levado a NASA a escolher a água mineral de Águas de
Lindóia são a baixa acidez e rápida absorção pelo organismo.
A passagem
secreta para Machu Pichu e a pedra em hebraico:
Uma história antiga diz que o Monte Sião, que faz a divisa entre Águas de
Lindóia e a cidade mineira de Monte Sião, possui um túnel secreto que a
interliga diretamente com Machu Pichu, no Perú.
Vários grupos de espeleólogos, os especialistas em estudo e exploração de
cavernas, já tentaram explorar o lugar e descobrir essa passagem. Alguns
aventureiros afirmam já ter visto a caverna ao fim de um abismo e coberta
por muita vegetação. Monte Sião é também o nome de um famoso monte em Israel
e, curiosamente, foi encontrada uma pedra com velhas inscrições em hebreu no
Monte Sião brasileiro.
Os
tropeiros e a lenda do sapo gigante:
Uma lenda popular diz que os primeiros a usarem para tratamento as águas de
Águas de Lindóia foram tropeiros do século XIX, que descobriram incríveis
poderes cicatrizantes. Os tropeiros teriam espalhado essa notícia por outros
estados, atraindo os primeiros turistas.
Havia quem dissesse que o que curava não eram as águas, mas sim um enorme
sapo que morava próximo às fontes e ajudava a curar os doentes que delas
bebiam e se banhavam.
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