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Águas de
São Pedro é
um município brasileiro no interior do
estado de São Paulo. Pertence à microrregião e
Mesorregião de Piracicaba, localiza-se a noroeste da capital do estado,
distando desta cerca de 187 km. Ocupa uma área
de 3,64 km², sendo o menor município paulista e o segundo menor município
brasileiro em extensão territorial, sendo maior apenas que Santa Cruz de
Minas (MG). Em 2010, sua população foi contada pelo IBGE em 2.703
habitantes, sendo então o 593º mais populoso de
São Paulo e o último de sua microrregião.
A sede tem uma
temperatura média anual de 22,4°C e na vegetação do município predomina
atualmente a mata atlântica. Em relação à frota
automobilística, em 2009 foram contabilizados 1485 veículos.
Sendo composto apenas por perímetro urbano, não possuindo zona rural, o
município contava com quatro estabelecimentos de saúde em 2009. O seu Índice
de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,908, sendo o segundo melhor de São
Paulo, como também o segundo melhor do Brasil, sendo superado em ambos por
São Caetano do Sul, no mesmo estado.
Águas de São
Pedro foi emancipado de São Pedro na década de 1940.
Em 2011 é formado pela cidade de Águas de São Pedro, sendo a sede seu único
distrito, subdividida ainda em seus quatro bairros.
Hoje é um dos onze municípios paulistas considerados como estâncias
hidrominerais pelo governo do estado de São Paulo, por cumprirem
determinados pré-requisitos definidos por Lei Estadual. A cidade é conhecida
pelas suas águas hidrominerais de valor medicinal, tendo suas fontes
naturais com alguns dos principais atrativos turísticos. Possui ainda dois
grandes parques (Dr. Octavio Moura Andrade Parque Municipal e o Parque das
Águas "José Benedito Zani"), além do mini jardim municipal, importantes
áreas verdes do município.
História:
Até 1800, a região do município de São Pedro e sua
enclave não passava de mata virgem. Os primeiros civilizados a pisarem em
solo água-pedrense foram, assim como na maioria dos municípios do interior
de São Paulo, bandeirantes que procuravam pedras preciosas, em especial
ouro, abrindo pela mata fechada diversos caminhos e rotas. Uma destas rotas,
chamada de Caminho do Picadão, partia de Itu, passava por Piracicaba e
avançava na direção dos sertões de Araraquara.
Durante muitos anos, muitas propriedades agrícolas foram se formando na
região, até que em 1883, São Pedro desvinculou-se de Piracicaba e tornou-se
politicamente independente.
A economia,
nesta época, passou a ser baseada na cultura do café,
quando muitas famílias italianas se estabeleceram nestas regiões para
trabalhar sob contrato de parceria em substituição ao trabalho escravo.
Nesta condição, o imigrante italiano Ângelo Franzin chegou ao Brasil em
1887, indo trabalhar na fazenda Recreio, de propriedade de João Rezende da
Cruz e apenas um ano depois administrava outras fazendas como Santa Rita,
Santa Eulália e Rosário. Após muitos anos de
trabalho, em acordo com seu irmão Jácomo, adquiriu terras e decidiu também
praticar a cafeicultura. As primeiras terras adquiridas foram as fazendas
Palmeiras e Limoeiro, seguidas das terras da Floresta Escura, Gonçalves,
Tuncum e Araquá, além de casas, terrenos e mais duas máquinas de beneficiar
café.
Busca pelo petróleo e descoberta das águas:
Na década de
1920, Júlio Prestes, então governador do estado de São Paulo, havia iniciado
as pesquisas na área de prospecção de petróleo. As pesquisas falharam na
tentativa de encontrar o produto e os equipamentos foram abandonados, mas
apenas jorrando água mineral. Posteriormente outras tentativas foram feitas
para encontrar petróleo em grandes profundidades e, novamente, nenhum óleo
foi encontrado. Uma estrutura de plataforma de petróleo existe ainda hoje e
é chamada de "Torre de Óleo Engenheiro Ângelo Balloni".
Anos mais tarde, em 1934, Ângelo
Franzin, donos das terras perfuradas, que é conhecida atualmente como "fonte
da juventude", construiu um balneário simples, onde se banhava. A água tinha
um odor forte. Um ano depois um grupo de pessoas da cidade comprou um lote
de 100 mil metros quadrados ao redor da fonte da juventude onde construíram
um balneário. Era composto de 12 banheiras de alvenaria, ao contrário do
primeiro balneário, que era feito de madeira. Naquele mesmo ano, Octavio
Moura Andrade resolveu construir a estância dando-lhe o nome de "Caldas de
São Pedro", criando juntamente com seu irmão, Antônio Joaquim de Moura
Andrade, a empresa "Águas Sulfídricas e Termais de São Pedro S/A".
Durante quatro anos o Instituto de
Pesquisas Tecnológicas (IPT) da Universidade de São Paulo (USP), realizou
uma série de estudos naquelas águas. Geralmente águas provenientes de
grandes profundidades possuem uma alta concentração de substâncias que podem
ser nocivas ao ser humano, assim como seu pH pode não ser adequado para o
banho. Em 1940 os resultados foram divulgados no Boletim 26 do IPT. As águas
foram consideradas adequadas para o banho e suas propriedades medicinais
estudadas pelo professor João de Aguiar Pupo, então Diretor da Faculdade de
Medicina de São Paulo (USP).
Emancipação política:
A estância de Águas de São Pedro
foi fundada a 25 de julho de 1934, por Octavio Moura
Andrade, quando da inauguração do Grande Hotel (hoje Grande Hotel São Pedro
de propriedade do SENAC). Reconhecendo a importância das fontes termais da
região, o Governo do Estado criou, em 19 de junho de 1940, a Estância
Hidromineral e Climática de Águas de São Pedro. O município de Águas de São
Pedro foi criado pela Lei Estadual nº 233, de 24 de dezembro de 1948,
emancipando-se de São Pedro. A instalação oficial ocorreu 2 de abril de
1949, sendo, desde então, composto apenas do Distrito-Sede.
Construção do balneário e planejamento urbano:
Para promover o
desenvolvimento e a exploração das águas medicinais de forma economicamente
viável, o fundador da cidade concebeu e projetou uma cidade voltada para
fins hidroterápicos e residenciais: um
balneário-cidade. Águas de São Pedro nasceu para ser uma Estância
Hidromineral, totalmente planejada e com o objetivo de atender os que
necessitavam de tratamento e turistas em busca de diversão e lazer. O
urbanista Jorge de Macedo Vieira foi o escolhido para harmonizar a ocupação
do espaço ao uso das águas minerais, à topografia, ao solo e ao clima,
demorando cerca de dois anos de minucioso estudo da região para então
projetar a estância. Somente em 1940 é que o projeto ficou totalmente
pronto, sendo registrado no Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de
São Pedro, sob o nº 1, já de acordo com as exigências do Decreto Lei 58/39.
A partir deste projeto foram construídas diversas
edificações, como construção de um grande hotel de
luxo para receber os turistas, além de um Casino, um dos primeiros cassinos
no país como atividade regulamentada pelo poder público. Também foram
realizadas obras de saneamento, sendo contratado um escritório técnico
Saturnino de Brito, vindo do Rio de Janeiro, para estudar e dirigir os
trabalhos de saneamento de uma área ao redor do Grande Hotel. Houve
recuperação das vias de acesso, realizando-se a retificação de 8 km de
estrada que liga São Pedro às fontes, permitindo o tráfego de veículos mais
pesados; construção de um aeroporto, o primeiro numa área de 40 alqueires,
com quatro pistas, estação de embarque, luz, telefone, água encanada, hangar
e posto de abastecimento de combustível; além da melhora dos serviços de
energia, que, como a rede de energia de São Pedro estava em condições
precárias, foi construída uma linha própria que ligou São Pedro às obras da
Estância e, para maior garantia foi construída, no Grande Hotel, uma usina
de emergência com dois geradores a diesel com capacidade de suprir o hotel e
a cidade que se iniciava.
História recente:
Após a inauguração do
balneário, o turismo ganhou força em Águas de São
Pedro, até se transformar na principal fonte de renda da cidade. Passou a
ser um dos integrantes da Região Turística (RT) Serra do Itaqueri. Com um
grande movimento de turistas também houve a necessidade de melhorias no
setor comercial, como as reformas da Rua do Comércio. O setor industrial
também se desenvolveu, também por influência das águas especiais. Foi
construído um prédio na zona industrial da cidade destinado ao
engarrafamento das águas das fontes Gioconda e Almeida Salles. A água
sulfurosa, como não era apropriada para o engarrafamento, serviu para uma
tentativa de industrialização na forma de cosméticos e cremes para a pele.■
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