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Americana é um município brasileiro do estado de São Paulo e
microrregião de Campinas, fundado em 27 de agosto de 1875. Seu nome se dá em
virtude da vila que surgiu ao redor de uma estação de trem que na época
servia ao município vizinho de Santa Bárbara. De acordo com dados do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - Censo 2010 - sua população
é estimada em 210.638 habitantes. Possui uma área territorial de 133,350
km2.
Foi povoada majoritariamente por luso-brasileiros, escravizados
afro-brasileiros, norte-americanos e mais tarde também por italianos, cujos
descendentes, ítalo-brasileiros, chegaram a formar o maior grupo étnico.
Houve uma razoável imigração de norte-americanos àquela região, que tornou a
região famosa por estes. Quando chegou a estrada de ferro a estação foi
chamada de "Villa dos Americanos", tamanho o destaque dos norte-americanos.
A cidade foi chamada também de "Villa dos Americanos", mais tarde "Villa
Americana" e finalmente "Americana".
A cidade destaca-se por sua qualidade de vida,
sendo a 19º colocada em
IDH do estado de São Paulo, e a 59º do
Brasil, além de ser a cidade com a menor taxa de mortalidade infantil do
estado de São Paulo e a cidade com menor taxa de
homicídios da Região Metropolitana de
Campinas, embora o número de homicídios dolosos em 2009 tenha
aumentado cerca de 60%, conforme dados da SSP/SP. É hoje um importante foco
de investimento nacional e internacional. Com
mão-de-obra qualificada em diversos setores, o
município destaca-se como um dos principais
pólos fabricantes de tecidos planos de
fibras artificiais e sintéticas da América Latina.
História:
Os primeiros registros sobre a ocupação do território
de Americana datam do final do século XVIII quando Domingos da Costa Machado
I adquiriu uma sesmaria da coroa entre os municípios de Vila de São Carlos
(atual Campinas) e Vila Nova da Constituição (atual Piracicaba e
posteriormente Santa Bárbara d'Oeste). Nesta região foram formadas várias
fazendas e pequenas propriedades rurais, sendo as principais delas a Fazenda
Salto Grande, a Machadinho e a Palmeiras. Em 1866, as terras da região
começaram a ser efetivamente povoadas por imigrantes norte-americanos
sulistas, que após o fim da Guerra Civil Americana se refugiaram na região.
O primeiro a chegar foi o advogado e ex-senador pelo estado do Alabama Cel.
William Hutchinson Norris, que se instalou em terras próximo a casa sede da
Fazenda Machadinho e do Ribeirão Quilombo. Em 1867 o resto de sua família
chega ao Brasil acompanhado de dezenas de outras famílias de confederados,
que aqui se instalaram para refazerem suas vidas como agricultores. Estas
famílias se instalaram em vários pontos da região da Vila de Santa Bárbara,
trazendo novas técnicas de cultivo, como o arado e o trole, e também a
espécie de melancia conhecida como "Cascavel da Geórgia".
O surgimento da
vila que originou Americana é controverso, mas pode-se enumerar uma série de
fatores que contribuíram para seu surgimento. O principal deles, sem dúvida
foram as obras de prolongamento da linha tronco da
Cia. Paulista e a construção da Estação de Santa Bárbara. Foi decidido que a
estação seria construída defronte com a casa-sede da Fazenda Machadinho, de
propriedade de Basílio Bueno Rangel. Com isso, a região começou a receber
intensa movimentação dos funcionários da Cia. Paulista, e dos sitiantes da
região, que aproveitavam a movimentação para venderem seus produtos. Alguns
confederados inclusive ajudaram trabalhando na colocação dos dormentes do
trilho. Foram formadas, então, as primeiras moradias temporárias dos
funcionários da Cia. Paulista. A Estação é finalmente inaugurada em 27 de
agosto de 1875, com a presença de S.M.I. Dom
Pedro II e também do Conde d'Eu, marido da Princesa Isabel.
Nesta mesma
época, o Cap. Inácio Correia Pacheco, outro proprietário da Fazenda
Machadinho, loteia parte de suas terras, onde aos poucos surge a pequena
vila ao redor da estação. Com a construção da Estação de Santa Bárbara,
pretendia-se facilitar o escoamento da produção das fazendas da região até o
porto de santos. A estação foi batizada com este nome,
porque estava em terras da Vila de Santa Bárbara, que embora distante 10
quilômetros, não possuía uma estação em sua vila. A divisa entre os
municípios de Santa Bárbara e Campinas era o Ribeirão Quilombo, sendo as
terras além dele pertencente a Campinas, e as aquém pertencentes a Santa
Bárbara.
Também em
1875 é fundada pelo confederado Willian Ralston
associado aos irmãos fazendeiros Antonio e Augusto de Souza Queiroz, a
futura Tecelagem Carioba. Em 8 de outubro de 1887, chegou ao Brasil Joaquim
Boer, chefiando uma grande comitiva de imigrantes italianos, que passou a
residir na Fazenda Salto Grande, que na época era de propriedade de
Francisco de Campos Andrade. Em 1884, a Tecelagem Carioba é adquirida pelos
irmãos ingleses Clement e George Willmot, que a ampliaram, fazendo algumas
melhorias, e iniciaram a construção da Vila Operária. Também foram eles que
em 1889, a batizaram como Fábrica de Tecidos Carioba, palavra que em tupi
significa "pano branco". Após a abolição da escravatura, em 1888 os irmãos
ingleses, que também eram proprietários da Fazenda Salto Grande, ficaram
endividados com o Banco do Brasil, e acabaram falindo em 1896, passando a
fábrica por um hiato de cinco anos.
Foi neste mesmo ano, que os italianos construíram a primeira capela da
Igreja Católica nas terras da Fazenda Salto Grande em meados de 1896, quando
foi rezado uma missa em homenagem a Santo Antônio, que posteriormente
tornou-se padroeiro da cidade.
A pequena vila
formada ao redor da estação não tinha um nome oficial. Este fato gerou um
grande problema para os moradores da vila, que tinham dificuldades para se
corresponderem. As cartas eram destinadas a "Vila da
Estação de Santa Bárbara", mas eram entregues na "Vila de Santa Bárbara", e
acabavam sendo perdidas, numa época em que este era o principal, senão o
único meio de comunicação das pessoas. Em 1900, a Cia. Paulista decide mudar
seu nome para Estação de "Villa Americana". Este nome foi escolhido por
causa dos americanos confederados que moravam na vila. Logo a vila ficou
conhecida pela consagração popular como "vila dos americanos" ou "vila
americana". Em 1901, a falida Fábrica de Tecidos Carioba é arrematada em um
leilão pelo Comendador alemão Franz Müller, em associação com seu irmão
Hermann Theodor, e com o capitalista inglês Rawlinson.
O Comendador
Müller muito encantado com a beleza natural do lugar onde a tecelagem estava
instalada, resolve lá se instalar com toda sua família em
1902. Na administração da Família Müller a fábrica
cresceu e ganhou projeção nacional, tornando-se a célula-mãe do Parque
Industrial de Americana. A Vila Operária de Carioba
foi ampliada e recebeu toda a infra-estrutura necessária aos funcionários da
fabrica. Em 30 de julho de 1904, após anos de briga judicial entre os
poderes executivos de Campinas e Santa Bárbara, sobre quem teria direito
sobre o território da vila, o poder executivo estadual cria pela lei nº 916,
o Distrito de Paz de Villa Americana, dentro do município de Campinas.
Em 1906 o Secretário de Estado dos Estados Unidos
Elihu Root em visita oficial ao Brasil, é informado da
existência da Villa Americana, e mostrou interesse em conhecê-la. Depois de
terminado todos os compromissos na volta de sua viagem, ele desembarcou na
estação de Villa Americana e foi recebido com grande emoção por americanos e
descendentes. Como a localidade ainda não tinha energia elétrica, as
centenas de americanos que foram recebê-lo levavam tochas, que na noite
escura, formavam uma visão impressionante. Root emocionou-se a ponto de
chegar às lágrimas.
A emancipação:
Após
a elevação da vila à categoria de distrito, viu-se um rápido
desenvolvimento. Criou-se o primeiro serviço policial, uma sub-prefeitura, a
primeira iluminação pública feita com três lampiões de
querosene trazidos da Alemanha e a criação da primeira escola oficial com o
envio do Prof° Silvino José de Oliveira pelo estado. Todos estes feitos
foram criando as condições necessárias para que seus moradores começassem a
lutar pela sua emancipação. No ano de 1922, Villa Americana era um dos
distritos de paz mais progressistas de Campinas, e tinha uma população de
4500 habitantes. Neste ano iniciou-se a luta política pela emancipação,
encabeçada por Antonio Lobo e outros como o tenente Antas de Abreu, Cícero
Jones e o próprio Hermann Müller. O trabalho destes e de tantos outros
moradores da vila finalmente deu frutos. Em 12 de Novembro de 1924, foi
criado o Município de Villa Americana, composto
de dois distritos: o de Villa Americana e o de Nova Odessa que mais tarde
dera origem ao município de Nova Odessa.
Hidrografia:
A
cidade está localizada na bacia do rio Piracicaba, que
se forma em Americana, na junção dos rios Atibaia e
Jaguari. O rio Atibaia
forma a Represa de Salto Grande, onde se encontra a Usina Hidrelétrica de
Salto Grande, em operação desde 1949 com três unidades geradoras. Há também
inúmeros córregos e ribeirões, sendo o ribeirão Quilombo o principal deles.
Economia:
Americana é hoje um importante foco de investimento nacional e internacional.
Com mão-de-obra qualificada em diversos setores, o município destaca-se como
um dos principais pólos fabricantes de tecidos planos de fibras artificiais
e sintéticas da América Latina. Americana é a 72ª cidade mais rica do Brasil
e a 4ª mais rica da Região Metropolitana de Campinas. ■
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