Notícias de interesse empresarial
Fonte: Jornal Contábil - 25/01/2012
Novas armas de combate à sonegação no país
O
objetivo era recuperar aos cofres públicos R$ 1 bilhão em impostos
desviados.
A
sonegação fiscal é um dos fatores que mais comprometem o desenvolvimento
de uma economia, especialmente quando se trata da economia de um país
emergente, como o Brasil. Toda sorte de justificativas é usada pelos
sonegadores, desde a alta carga tributária, passando pelos complexos
passos para o pagamento dos impostos, até a corrupção entre os
responsáveis pelo destino do tributo.
Apesar
de total ou parcialmente verdadeiras, na grande maioria dos casos essas
justificativas acabam sendo usadas mais como pretextos para uma prática
que vem corroendo a saúde da economia nacional: a concorrência desleal.
Para enfrentar o problema, vez ou outra, se fazem megaoperações, que têm
caráter punitivo e também um significativo efeito midiático. Em agosto,
por exemplo, a Polícia Federal levou a cabo uma dessas iniciativas, com
ações coordenadas no Distrito Federal e em 17 Estados. O objetivo era
recuperar aos cofres públicos R$ 1 bilhão em impostos desviados.
Essas
operações são muito importantes, pois fazem parte do esforço de
fiscalização. Mas a prevenção também é fundamental para evitar que haja
sonegação de impostos. Neste caso, a tecnologia pode ajudar.
Principalmente quando proporciona os recursos necessários para o
rastreamento de produtos, desde sua produção até a venda ao consumidor.
Mecanismos para rastrear e controlar produtos têm sido desenvolvidos em
iniciativas de empresas e instituições da sociedade civil que contam com
a colaboração da União e de unidades da Federação.
Dois
mecanismos têm tido bons resultados: o Sistema de Controle de Produção
de Bebidas (Sicobe) e o Sistema de Controle e Rastreamento da Produção
de Cigarros (Scorpios). São dois setores da economia muito bem
organizados, mas que frequentemente sofrem concorrência desleal por
estarem na mira de alguns produtores ansiosos por obter vantagens
competitivas pela via da sonegação de impostos. Pesquisa da Fundação
Getúlio Vargas (FGV) apontou que mais de 60% das vendas de destilados
ocorrem na informalidade. Para mudar essa realidade, em 2008, a União
adotou o Sicobe, ferramenta que permite rastrear a bebida produzida no
País. O Sicobe envia à Receita Federal, em tempo real e diretamente das
fábricas, informações sobre fabricante, marca, data de fabricação do
produto, volume, embalagem, etc.
Os
resultados são expressivos: um ano após sua implantação, a arrecadação
de impostos federais, como IPI, PIS e Cofins, aumentou em 20% no setor
de bebidas. O sucesso está levando os Estados a repetir a experiência,
para combater a sonegação de tributos como o ICMS. O desembolso de R$
0,03 por unidade, a fim de ressarcir a Casa da Moeda pelos procedimentos
de manutenção do sistema, provocou reação de alguns pequenos e médios
fabricantes. Mas o tempo deve mostrar que vale mais a pena investir na
prevenção para enfrentar concorrência desleal.
O mesmo
se dá na indústria de cigarros. Segundo dados da indústria, o comércio
ilegal de cigarros (contrabando, falsificação e sonegação de impostos)
representa mais de 28% do mercado brasileiro. Estimativas da indicam que
a perda de arrecadação no setor é superior a R$ 2 bilhões por ano.
O
Sistema de Controle e Rastreamento da Produção de Cigarros (Scorpios) é
o mecanismo usado pela União para identificar o percurso do produto
comercializado, a fim de interromper a cadeia de sonegação. Adotado em
2007, o Scorpios também permite controlar em tempo real o processo de
produção e selagem dos cigarros. Fabricados pela Casa da Moeda, os selos
contêm informações sobre fabricante, marca, data de fabricação e classe
fiscal.
Os
Estados já podem contar também com o chamado Business Intelligence Nota
Fiscal Eletrônica (BI-NF-e), que agrega inteligência à análise dos dados
gerados pelas Notas Fiscais Eletrônicas, e já em fase de implantação em
16 Estados. O mesmo permite às Secretarias da Fazenda extrair
informações para uma melhor fiscalização dos segmentos obrigados à
emissão da NF-e, principalmente no controle das operações
interestaduais. Além disso, contribui também para aumentar o
recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS). Um recurso para os Estados, que possibilita ampliar a
arrecadação sem aumentar a carga tributária.
Na
indústria de medicamentos, outro setor bastante afetado pela sonegação e
fraudes, os processos de controle são fundamentais para garantir não
somente a igualdade concorrencial, mas, principalmente, para evitar
riscos à saúde pública, dada a própria natureza do objeto. Em comunicado
divulgado em dezembro de 2011, a Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) afirmou que já deliberou sobre as diretrizes que
nortearão a implementação do Sistema Nacional de Controle de
Medicamentos, conforme determinado pela Lei 11.903/09.
O
caminho para o pagamento de tributos deve ser simplificado no Brasil e o
destino dos tributos deve ser acompanhado pela sociedade. Independente
disso, as medidas para prevenir e fiscalizar a arrecadação precisam
estar na lista de prioridades de qualquer administrador público. Com a
implementação dos instrumentos citados, todos saem ganhando. O governo,
em todas as suas esferas, dispõe de mais recursos para aplicar em
melhorias sociais; a iniciativa privada, que passa a ter condições mais
equânimes de mercado, e a sociedade em geral, que pode consumir produtos
de qualidade testada e aprovada, da sua fabricação até a chegada ao
ponto de venda.
Texto confeccionado por: Roberto Abdenur
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