Notícias de interesse empresarial
Fonte: Valor Econômico - 10/02/2012
Contabilidade internacional quer recursos
dos governos
Os responsáveis pelo padrão contábil internacional,
conhecido pela sigla IFRS, querem reduzir a dependência que o Conselho
de Normas Internacionais de Contabilidade (Iasb, na sigla em inglês),
órgão que escreve as normas, têm hoje de doações de empresas privadas
para se sustentar.
Foi divulgado ontem um plano que tem como um dos
objetivos a criação de um esforço para que os países que adotam o IFRS,
como é o caso do Brasil, ajudem a arcar com os custos do Iasb de forma
perene e sustentada.
A ideia inicial é que as contribuições guardem
proporção com o Produto Interno Bruto (PIB) dos países, e espera-se um
comprometimento maior daqueles que integram o G-20.
Existe o plano também de aumentar o orçamento anual
do Iasb dos atuais 26 milhões de libras para um intervalo de 40 milhões
a 45 milhões de libras.
Uma das possibilidades em estudo, que depende da
decisão de cada país, seria a cobrança dos ``beneficiários`` do IFRS, o
que incluiria as empresas que publicam os balanços e os investidores que
leem as demonstrações financeiras neste padrão contábil.
Atualmente, as grandes firmas internacionais de
auditoria são responsáveis por um terço das doações recebidas pela
Fundação IFRS, que financia o funcionamento do Iasb, sediado em Londres.
Outras empresas, de inúmeros países e setores,
também fazem contribuições ao órgão.
As doações representam mais de 70% da receita anual
da Fundação, que foi 22,6 milhões de libras em 2010. A parcela restante
veio da venda de publicações.
A melhora da estrutura de governança e
financiamento do Iasb é um dos pontos que a Securities and Exchange
Commission (SEC) aponta como críticos na decisão que pretende tomar nos
próximos meses sobre a migração dos Estados Unidos para o padrão
contábil IFRS, em substituição ao modelo atual, conhecido como US Gaap.
O peso relevante de um único país ou região, ou
mesmo das empresas de auditoria no financiamento do órgão, pode causar
dúvidas em alguns participantes do mercado sobre a independência do Iasb,
quando ele for chamado a decidir sobre temas polêmicos da contabilidade.
Em 2010, a única contribuição do Brasil, no valor
de 196 mil libras, foi feita pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC),
que traduz e adapta as IFRS para o mercado local. Para 2011, estava
previsto um aporte de mais 396 mil libras, desta vez partindo tanto do
CPC como também do BNDES.
Receita da KPMG avança 23%, para R$ 662 milhões
Com crescimento praticamente uniforme em suas três
áreas de negócio, a KPMG brasileira encerrou o ano fiscal terminado em
setembro com receita de R$ 662 milhões. O valor indica expansão de 23%
sobre o faturamento registrado no exercício anterior.
A empresa não abriu quanto desse crescimento foi
orgânico e quanto derivou da compra das operações da Trevisan (antiga
associada à BDO no Brasil) - o que inclui a contratação dos sócios e
assunção dos clientes. Como a união foi formalizada a partir de abril do
ano passado, existem seis meses de faturamento da adquirida incluídos na
receita total.
``Como houve uma incorporação de pessoas, a gente
não ficou separando, porque todos começaram a trabalhar juntos``,
explicou Pedro Melo, presidente da KPMG no Brasil.
O valor de R$ 662 milhões deixaria a KPMG como a
quarta maior do país na área de auditoria e consultoria, atrás das
rivais PricewaterhouseCoopers, Deloitte e Ernst & Young Terco.
Mas essa afirmação não pode ser feita com total
segurança porque a EYT fechou seu último ano fiscal em junho, tendo
obtido receita de R$ 732 milhões em 12 meses. Nesse número, estão
incluídos nove meses (e não seis) desde a aquisição das operações da
Terco, que até setembro de 2010 era associada à Grant Thornton no
Brasil.
A PwC é a maior com certa folga, mas também a única
que não abre sequer os dados de receita. O que se sabe apenas é que o
faturamento ficou pouco abaixo da marca de R$ 1 bilhão no ano fiscal que
terminou em junho.
A Deloitte teve faturamento de R$ 850 milhões no
último ano fiscal, encerrado e maio.
Melo disse acompanha a receita das concorrentes,
mas que não encara isso como um fator crítico de sucesso. ``Como há essa
diferença dos meses, e agora terá o efeito do rodízio, vamos esperar
dois ou três anos para ter bases comparáveis``, afirmou.
Segundo ele, o crescimento dos negócios da KPMG
``foi muito consistente em todas as áreas, mas com motivações
diferentes``.
O processo de adoção do padrão contábil IFRS no
Brasil ainda contribuiu para o aumento da receita da área de auditoria.
Os serviços na divisão de tributos, diz o
executivo, tiveram expansão ligada ao uso do sistema de escrituração
digital (Sped) exigido pela Receita Federal.
Por fim, a área de consultoria aumentou o
faturamento acompanhando o ritmo das fusões e aquisições no país. Nessa
área, a empresa pode tanto assessorar na negociação como também prestar
serviço de verificação dos balanços e contas das empresas que são
adquiridas. (FT) ◄
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