Notícias de interesse empresarial
Fonte: Valor Econômico
Desoneração da folha acelerará
ritmo de contratações nas empresas de TI
A Totvs, empresa do setor de Tecnologia da
Informação (TI), tem 90% de seu faturamento resultante da
comercialização de serviços e desenvolvimento de software. Essa parcela
do negócio da empresa deve ser beneficiada, a partir de abril, com a
desoneração de folha de pagamento prevista no Plano Brasil Maior.
Com o benefício do governo federal, em vez
de pagar 20% sobre o valor da folha de pagamentos, a empresa deverá
recolher contribuição previdenciária referente a 2,5% do faturamento.
Com a folha representando 50% do seu custo total, diz, a empresa terá
redução de carga tributária significativa com a troca, diz seu
presidente, Laércio Consentino. Ele alega não saber o tamanho da
redução, mas diz que o menor custo com tributação sobre folha permitirá
à empresa acelerar a velocidade das contratações. ``Nós temos contratado
cerca de 500 pessoas por ano``, diz Consentino. Segundo ele, o ritmo de
contratações dos últimos poderá ser acelerado de 10% a 20% com o novo
incentivo fiscal. Atualmente a empresa tem 5,5 mil funcionários diretos.
A Totvs não é a única empresa que credita
ao benefício da desoneração a possibilidade de acelerar as contratações.
José Luiz Rossi, presidente da CPM Braxis, outra empresa do setor de TI,
diz que no ano passado a empresa fez recrutamento de 250 estagiários.
Este ano, diz Rossi, a ideia é abrir processo de seleção para 600
estagiários.
Para Antonio Gil, presidente da Associação
Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom),
o efeito da desoneração não se restringe à contratação de mais
funcionários pelas empresas. Para ele, a desoneração irá propiciar a
formalização dos trabalhadores que hoje estão atuando como pessoas
jurídicas que prestam serviço às empresas, embora sua rotina de
atividade caracterize vínculo empregatício.
``Essa medida faz com que os custos das
empresas que contratam pessoas jurídicas fiquem parecidos com os
daquelas que empregam com a CLT``, diz Gil, referindo-se à Consolidação
das Leis do Trabalho, legislação aplicada aos empregados com carteira de
trabalho assinada.
Segundo dados da Brasscom, o setor de TI
emprega em torno de 1,2 milhão de trabalhadores. Cerca de 50%, porém,
são contratados irregularmente como pessoas jurídicas. A estimativa, diz
Gil, é que essa fatia de trabalhadores caia para 20% em três anos. Com a
desoneração, o setor reduz o seu recolhimento de contribuição
previdenciária em R$ 1 bilhão, valor que significa 80% da arrecadação do
tributo no setor.
O efeito da desoneração é representativo
no segmento, explica Gil, em razão da grande participação da folha de
salários entre as despesas totais das empresas. Ele conta que o
desembolso com pessoal representa, em média, de 50% a 70% do faturamento
das empresas. O custo é representativo, explica, porque o setor não
possui custos fixos grandes com instalações fabris e maquinário.
O efeito da medida da desoneração sobre as
exportações, porém, deve demorar mais. Além de reduzir a carga
tributária sobre folha, a medida da desoneração, acredita Gil, deve
estimular a exportação de serviços. Isso porque a receita de exportação
está excluída do cálculo da nova contribuição de 2,5% sobre o
faturamento das empresas de TI. A Brasscom estima que dentro de dez anos
o setor deve exportar o correspondente a 10% do seu faturamento total.
No ano passado, as empresas de TI faturaram ao todo US$ 96 bilhões, dos
quais 2,71% resultantes de exportação.
Em 2009, o setor de TI já havia sido
contemplado por uma medida de redução da contribuição ao INSS, mas com
efeitos bem mais restritos. As empresas do setor que exportam 100% dos
serviços poderiam ter o recolhimento à Previdência reduzido pela metade,
de 20% para 10%. A redução variava conforme o volume de exportação
comparado ao vendido no mercado interno.
Na prática, a nova desoneração da folha
não foi aplicada de forma uniforme entre as empresas do setor. A medida
está em vigor desde dezembro para as empresas que têm todo o faturamento
resultante de atividade que faça jus ao benefício. Se a empresa tem
receitas com atividades que não estão entre as beneficiadas com a
desoneração, porém, a nova contribuição deve valer a partir de abril.
Em razão dos prazos diferenciados de
aplicação da nova medida, no grupo CPM Braxis algumas empresas já
calculam a contribuição sobre o faturamento enquanto outras só irão
aplicar o novo cálculo a partir de abril. Por isso, o presidente José
Luiz Rossi, presidente da CPM Braxis, diz que, em razão dessa diferença,
a empresa ainda não tem os cálculos definitivos da redução de carga
tributária com a desoneração. Ele informa, porém, que a folha de
salários representa 60% de seu faturamento. Com a desoneração, diz
Rossi, a empresa terá mais recursos disponíveis para aplicar em
treinamento e capacitação, além de recrutar neste ano mais que o dobro
de estagiários selecionados no ano passado.
Na Resource IT Solution, diz o presidente
da empresa, Gilmar Batistela, o efeito da desoneração nas contratações
dentro do país deverá ser mais gradativo. A empresa, diz, tem investido
na abertura de subsidiárias fora do Brasil e houve crescimento
significativa do número de empregados. Nos últimos anos, diz o
executivo, a empresa passou por elevação da folha em função da
contratação com carteira assinada de trabalhadores que antes atuavam
como pessoas jurídicas. Segundo Batistela, há três anos a empresa tinha
mais de 500 pessoas jurídicas prestando serviço, o que representava mais
de 50% dos trabalhadores. Pouco a pouco, conta, os funcionários passaram
pela contratação direta. Hoje, segundo ele, a empresa tem 2,5 mil
empregados no país, como resultado da formalização e também do aumento
de pessoal, boa parte resultante da aquisição de empresas.
Com faturamento resultante integralmente
de atividade de TI, a BRQ IT Services já recolhe desde dezembro a
contribuição previdenciária sobre faturamento. O presidente da empresa,
Benjamin Quadros, diz que houve queda de carga tributária, mas não
revela de quanto. A empresa faturou no ano passado R$ 340 milhões e,
segundo ele, os planos são de elevar a receita para R$ 455 milhões em
2012, aumentando também em 30% o quadro dos atuais 3 mil funcionários. A
exportação é responsável por 10% do faturamento da empresa, mas Quadros
considera que a desoneração não é suficiente para alavancar a venda de
serviços ao exterior. Além da crise internacional, diz, a carga de
tributos do Brasil ainda continua alta na comparação com a da Índia, o
principal competidor na área de TI.
Texto confeccionado por:
Marta Watanabe ◄
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