Notícias de interesse empresarial
Fonte: Jornal do Comércio/RS - 13/02/2012
Formalização é saída
para ganhar mercado
Com nota fiscal, empreendedores
individuais se transformam em fornecedores regulares para outras
empresas
O hobby, o passatempo e o complemento de
renda podem ter potencial para impulsionar uma nova empresa. A cada ano,
aumenta o número de pessoas que chegam a essa conclusão no Brasil, e os
incentivos à formalização de microempreendedores individuais têm
acelerado o acesso dessas pessoas ao mercado - com a possibilidade de
dar nota fiscal, muitos se transformam em fornecedores para empresas
maiores e acabam pegando carona no crescimento econômico.
São empreendedores que repetem o trajeto
que Fátima dos Santos começou há mais de dez anos. No início dos anos
1990, ela era bancária em Novo Hamburgo e dedicava suas horas vagas ao
tricô e ao crochê, que vendia para os colegas. “Até que um dia ela disse
que iria comprar um futuro para a gente”, lembra Paulo Ricardo de Mello,
marido e sócio de Fátima. Ele conta que a então namorada decidiu voltar
para sua terra natal, Santo Antônio da Patrulha, e adquirir uma máquina
de fazer tricô. “Aprendemos juntos a usar o equipamento e eu, que
trabalhava com pecuária, acabei dominando as agulhas. Formalizamos o
negócio e logo começamos a crescer”, descreve.
Há 11 anos, a empresa começou sua parceria
com a loja de roupas infantis Barriga Verde. Cinco anos depois, a rede
de varejo foi comprada pela Estrela Franquias, que propôs exclusividade
a Fátima. Agora, a marca dela, Pafamas, é vendida nas 74 lojas Barriga
Verde e Clube do Dino, que formam uma das maiores redes especializadas
em enxovais do Brasil. “A qualidade dos nossos produtos alavancou as
nossas vendas ao longo do tempo e, no ano passado, abrimos uma segunda
fábrica, em Araranguá (Santa Catarina), para produzir peças em tecido.
Mantemos a produção de tricô em Santo Antônio da Patrulha. Hoje já temos
cerca de 30 funcionários e, claro, a parceria com a Barriga Verde foi
muito importante para o nosso crescimento”, avalia Mello.
Para Fabiana Estrela, diretora-geral da
empresa franqueadora, a aposta em fornecedores de micro e pequeno porte
é estratégica. “Nossa relação com fornecedores é semelhante à que temos
com os franqueados, clientes e colaboradores. Procura desenvolver um
ambiente em que todos ganhem”, diz ela, que cultiva na parceria com as
micro e pequenas indústrias o engajamento necessário para sustentar o
crescimento da rede. “Eles compartilham nosso planejamento estratégico e
desenvolvem produtos específicos para atender às nossas necessidades.
Crescemos juntos”, afirma.
Exatamente o modelo de parceria que a
artesã Vanessa Bonatto, de Canoas, estabeleceu com lojas de decoração e
utilidades domésticas do Canoas Shopping. A administradora de empresas
descobriu no artesanato fino a satisfação que já não encontrava em seu
cargo de servidora pública da área da saúde. “Comecei em 2008 e só dois
anos depois decidi formalizar o negócio e apostar no empreendimento.
Hoje faço peças utilitárias, como vasos e abajures, de acabamento
requintado que tem boa aceitação pelo mercado consumidor”, afirma ela
que, para atender à demanda, já estabeleceu parcerias com outros
artesãos da cidade.
Vanessa avalia que os acordos de
fornecimento regular para o varejo dão ao empreendedor individual a
estabilidade necessária para organizar o negócio como atividade
principal. “Acredito que não dá para crescer sozinha. Por isso busco
parcerias com outras empresas da região, que me fornecem a
matéria-prima, e com outros artesãos, que me ajudam a atender o volume
de encomendas. Com a formalização, não é só o microempreendedor que
ganha”, diz.
“Mais que a chance de vender fácil tudo o
que a gente consegue produzir, a formalização é importante para que
tenhamos garantias”, acrescenta a confeiteira Franciele Neris, de Bento
Gonçalves. Ela deixou o emprego em um supermercado para se dedicar à
produção caseira de biscoitos e salgadinhos. “Faço cerca de 100 pacotes
de biscoito por semana, que são vendidos em três supermercados da
cidade. Não tenho mais clientes porque não consigo produzir mais. Ter me
tornado uma microempreendedora individual foi uma excelente opção de
formalização, abriu mercado para os meus produtos e, principalmente, me
tirou o peso da consciência. Antes eu tinha a sensação de que estava
perdendo tempo, que todo o trabalho não contaria para a minha
aposentadoria ou se eu precisasse parar de trabalhar, caso adoecesse”,
disse ela.
Empreendedores buscam oportunidades na
Capital
Somente em Porto Alegre, mais de 7 mil
empreendedores foram formalizados ao longo do ano passado. Muitos deles
aproveitaram as facilidades da Linha da Pequena Empresa, um ônibus
especial mantido pelo órgão em parceria com a prefeitura, que a cada
semana visita um bairro diferente.
“Todo o atendimento dado pelo Sebrae, seja
na Linha da Pequena Empresa, seja em nossas unidades, é gratuito quando
se trata de auxílio à formalização. Também oferecemos inúmeros
treinamentos para os novos empresários e, em sua maioria, esses cursos
são gratuitos”, aponta o presidente Sebrae-RS, Vitor Koch, ao listar
entre os treinamentos essenciais ao microempreendedor individual aqueles
voltados à gestão, como fluxo de caixa, estruturação do plano de
negócios e a previsão de riscos.
Ele explica que, uma vez formalizado, o
empreendedor pode assumir contratos de fornecimento para outras empresas
e para o próprio governo. Mais de 420 cidades no Rio Grande do Sul já
regulamentaram a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas e, com isso,
dão preferência às MPEs nas compras públicas. O governo do Estado também
dá tratamento diferenciado, através do Programa Fornecer. “Os custos de
formalização são muito baixos e, no caso dos microempreendedores
individuais, as alíquotas de impostos também são bastante reduzidas. O
fato de dar acesso à seguridade social e à previdência já faz valer a
pena.
Texto confeccionado por:
Clarisse de Freitas ◄
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