Notícias de interesse empresarial
Fonte: Revista Incorporativa - 17/02/2012
Como minimizar riscos nos
processos de fusão e aquisição
Apesar da aparente facilidade na
estruturação de uma operação de fusão e/ou aquisição, nem sempre as
empresas envolvidas capturam os benefícios previstos Celso Ienaga
O número de operações de fusão e aquisição
de empresas de capital aberto tem crescido no Brasil nos últimos três
anos. A estabilidade da economia brasileira, aliada ao elevado potencial
de crescimento do mercado nacional e à estruturação do mercado de
capitais, tem propiciado um ambiente ideal para a realização de
operações desta natureza. Seja para consolidação de empresas dentro de
um determinado setor, ou para entrada de uma empresa em um novo segmento
de mercado, a adoção de uma estratégia de crescimento baseada em
operações de fusões e aquisições tem demandado cada vez mais discussões
entre dirigentes e acionistas.
Apesar da aparente facilidade na
estruturação de uma operação de fusão e/ou aquisição, nem sempre as
empresas envolvidas capturam os benefícios previstos e/ou conseguem
aumentar o seu valor de mercado. Isso ficou evidente na pesquisa
desenvolvida pela Dextron Management Consulting sobre fusões e
aquisições nos vários setores da economia, que resultou no modelo
batizado pela empresa de consultoria de Sustainable Value Growth Model.
Este modelo foi desenvolvido para auxiliar
os acionistas, os investidores e os executivos chefes na definição
prévia da melhor estratégia de crescimento não orgânico. Na maioria dos
casos de insucesso, as empresas se lançaram na busca de oportunidades de
aquisição, ou mesmo, na avaliação de empresas candidatas a fusão sem uma
clara definição da estratégia, e subestimando ou até mesmo
negligenciando aspectos como tempo, recursos necessários para realização
da operação, riscos envolvidos e aspectos-chave como a contratação de
profissionais preparados e adequados para a nova organização.
Diante dos desafios e da elevada pressão
por resultado que este tipo de operação gera junto aos executivos e
acionistas envolvidos, o Sustainable Value Growth Model considera três
momentos distintos que devem ser bem trabalhados individualmente, e de
forma sistemática, para que o processo de fusão ou aquisição seja bem
sucedido. Na Pré-Negociação, faz-se o alinhamento estratégico, a
identificação e a seleção das empresas-alvo, sendo que o objetivo final
é a identificação da empresa singular. A seguir, vem a Negociação, que
contempla a avaliação da empresa-alvo, a estruturação da negociação e a
Due Dilligence, e, neste caso, o foco é a avaliação da capacidade de
sustentabilidade na geração de valor. Por último, na Pós-Negociação, é
realizada a integração, em que se busca, em última instância, a
implementação de um conjunto de decisões e ações que irão permitir a
empresa capturar valor no longo prazo.
Com relação à captação de recursos
necessários para o crescimento da empresa junto aos potenciais
investidores estratégicos e/ou financeiros, o modelo sustenta a
necessidade de definir uma sólida tese de investimento e identificar o
perfil da empresa-alvo ideal.
Com relação à descrição racional
estratégica, mercadológica e financeira que justifica a operação de
fusão e aquisição, as análises das transações históricas já realizadas
no Brasil e no exterior permitem identificar seis teses mais comumente
utilizadas pelas empresas que buscam investidores: Consolidação (criação
de valor por meio de economia de escala); Eficiência (dominação do setor
de negócio via modelo mais eficiente); Ciclicidade (entrada e saída
planejada, considerando as mudanças cíclicas do setor); Turnaround
(reestruturação e revitalização de empresas ineficientes); Nichos Únicos
(entrada em nichos pequenos que são altamente rentáveis e bem
protegidos) e Janela de Oportunidade (aquisição de novas tecnologias e
entrada em novos segmentos).
Já no que tange à definição do perfil
ideal da empresa-alvo, o modelo identificou cinco atributos-chave que,
juntos, permitem avaliar se uma empresa é uma candidata potencial para
operações de fusão e aquisição: exploração de uma oportunidade de
mercado singular; operação de um modelo de negócio diferenciado;
administração qualificada por um time que utiliza práticas de
excelência; comprovação de um histórico de resultados; geração de valor
comprovado e tese de investimento claramente definida.
O objetivo final deste modelo é orientar
os acionistas, investidores e executivos na condução de um processo de
crescimento estruturado e sistemático que permita à empresa gerar valor
de forma sustentável a longo prazo.
Celso Ienaga é sócio-diretor da Dextron
Management Consulting, consultoria de negócios focada em projetos de
Estratégia e Organização, atuando principalmente nas práticas de
planejamento estratégico (estratégia de negócios, estratégia
corporativa, estratégia de crescimento), governança corporativa,
estruturação de fusões e aquisições, estruturação de modelo de negócios,
arquitetura organizacional, transformação do modelo de negócio. ◄
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